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Como Investir no Exterior de Forma Segura

Como Investir no Exterior: Outro dia, conversando com um amigo sobre investimentos, percebi como muita gente ainda tem receio de investir fora do Brasil. Certamente, é compreensível – afinal, parece complicado, distante e, para muitos, arriscado. No entanto, depois de alguns anos diversificando minha própria carteira internacionalmente, posso dizer que os benefícios superam (e muito!) os desafios iniciais.

Por que considerei investir no exterior?

Inicialmente, minha jornada começou em 2018, quando a volatilidade do mercado brasileiro me fez questionar: “será que estou colocando todos os ovos na mesma cesta?”. Consequentemente, descobri que investir internacionalmente oferece vantagens que não podemos ignorar:

  • Primeiramente, não dependemos apenas da economia brasileira. Quando nosso mercado oscila (e sabemos que ele oscila bastante), parte do patrimônio permanece protegida.
  • Além disso, temos acesso a empresas incríveis que não encontramos por aqui. Pense na Apple, Google, Amazon – empresas que usamos diariamente e que continuam crescendo.
  • Da mesma forma, ganhamos proteção contra o real. Não sou economista, mas já vi o real se desvalorizar diversas vezes ao longo dos anos. Por isso, ter parte do patrimônio em dólar ou euro é uma proteção natural.
  • Adicionalmente, os mercados são mais estáveis. Comparado ao nosso, o mercado americano, por exemplo, costuma ser menos turbulento no longo prazo.

Como comecei a investir lá fora

Primeiramente, minha primeira experiência foi a mais simples possível – e recomendo esse caminho para quem está começando:

BDRs e fundos internacionais

Inicialmente, comecei investindo em BDRs (Brazilian Depositary Receipts) – que são, basicamente, recibos de ações internacionais negociados aqui na B3. Portanto, foi um jeito de “molhar os pés” sem grandes complicações.

Em seguida, investi também em alguns fundos multimercado que tinham exposição internacional. A vantagem? Eu não precisava me preocupar com remessa de dinheiro ou declaração complexa de imposto de renda.

Corretoras internacionais

Posteriormente, depois de ganhar confiança, abri uma conta na Avenue (e posteriormente na Interactive Brokers também). Confesso que, no início, fiquei meio perdido com a documentação e o processo de transferência de recursos. Apesar disso, a experiência de comprar diretamente ações da Tesla e da Microsoft compensou o trabalho.

Entre as opções mais populares estão:

  • Avenue, TD Ameritrade e Interactive Brokers (EUA)
  • DEGIRO e XTB (Europa)

Por um lado, a Avenue facilitou muito minha vida por ter interface em português e suporte brasileiro. Por outro lado, a Interactive Brokers me deu acesso a praticamente qualquer mercado do mundo, embora com uma interface mais complexa.

A parte burocrática de Investir no Exterior (que ninguém gosta, mas precisamos entender)

Enviando dinheiro para fora

Ao longo do tempo, testei várias formas de enviar dinheiro e, honestamente, as diferenças de custos são significativas:

No princípio, comecei usando transferência bancária tradicional e paguei CARO. Entretanto, depois descobri as fintechs de câmbio como Wise (antiga TransferWise) e Remessa Online, que reduziram bastante o custo.

Dica pessoal: sempre compare as taxas antes de fazer a remessa. De fato, já economizei algumas centenas de reais apenas trocando o serviço de câmbio.

Imposto de Renda e outras obrigações

Sem dúvida, essa parte me deu dor de cabeça no primeiro ano, não vou mentir. Mas depois que entendi o processo, ficou mais tranquilo:

  • Primeiro, os ganhos são tributados entre 15% e 22,5%, dependendo do prazo
  • Além disso, precisamos declarar qualquer ativo acima de US$ 5.000
  • Igualmente importante, o imposto só incide quando vendemos os ativos (não quando mandamos dinheiro pra fora)
  • Finalmente, quem tem mais de US$ 100.000 precisa fazer a declaração de CBE ao Banco Central

Diante disso, contratei um contador especialista em investimentos internacionais no primeiro ano. Foi um dinheiro bem gasto, pois ele me ensinou como fazer corretamente, e nos anos seguintes consegui fazer sozinho.

Erros que cometi (para você não cometer)

  1. Antes de tudo, não pesquisei o suficiente sobre as taxas. Minha primeira corretora internacional tinha taxas de manutenção que só descobri depois de três meses. Sendo assim, leia sempre os termos!
  2. Ainda mais, comecei com muito pouco dinheiro. As taxas de transferência têm um valor mínimo, então enviar quantias muito pequenas não é eficiente. Por conseguinte, juntei mais dinheiro antes de fazer novas remessas.
  3. Acima de tudo, não documentei bem as operações. Quando chegou a hora do IR, passei horas procurando comprovantes e extratos. Atualmente, mantenho uma planilha atualizada mensalmente.

Por onde começar (se você está na dúvida)

Se você está pensando em dar o primeiro passo, além disso sugiro:

  • Para começar, experimente primeiro os BDRs ou ETFs internacionais na sua corretora brasileira
  • Em seguida, pesquise bem sobre as corretoras internacionais antes de abrir conta
  • Após isso, defina quanto do seu patrimônio você quer expor internacionalmente (eu comecei com 10% e hoje tenho cerca de 30%)
  • Por último, comece com ETFs globais como o VT (Vanguard Total World Stock) que já te dá exposição a milhares de empresas em um único investimento

Investir no exterior: Reflexão final

Olhando para trás, definitivamente investir no exterior foi uma das melhores decisões financeiras que tomei. Não só pelo retorno financeiro, mas também pela tranquilidade de saber que meu patrimônio está mais protegido contra as instabilidades de um único país.

Assim sendo, lembro perfeitamente do nervosismo ao fazer minha primeira remessa internacional. Hoje em dia, é um processo tão natural quanto pagar uma conta pelo aplicativo do banco.

O que mais me surpreendeu foi, sobretudo, perceber como o mercado internacional é acessível. Não precisamos ser milionários para começar – com conhecimento e planejamento, contudo, qualquer investidor médio brasileiro pode diversificar globalmente.

Nota: Este texto reflete minha experiência pessoal e não constitui recomendação de investimento. Cada pessoa tem objetivos e perfis diferentes. Em conclusão, consulte sempre um profissional antes de tomar decisões financeiras.

Leia também: ETFs: O que são e como funcionam

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